Hoje recebi a seguinte citação no Facebook:
"A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina 'cor', que significa 'coração'. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receo
sos, criam em torno de si uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas — com teologia, conceitos, palavras, teorias — e, do lado de dentro, eles se escondem. O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido.[...] O Amor não deveria ser exigente, senão ele perde as asas e não pode voar... Um amor não motivado não tem fronteiras: é a fragrância do coração." — Osho
Diante dessa reflexão, resolvi propor um olhar sob outro horizonte:
Nós, ocidentais, quase sem perceber — talvez por força da própria cultura —, somos constantemente impelidos a criar oposições entre as dimensões da nossa natureza. Ocorre que tanto o coração quanto a mente estão sujeitos a excessos. Cada um, em sua devida medida, precisa trilhar o caminho rumo ao equilíbrio.
A paixão puramente ligada ao coração pode dominar a mente e gerar atitudes pretensiosas e irracionais. Por outro lado, a mente — tutora da razão —, quando tenta controlar a totalidade das coisas, tende a renegar e reprimir os impulsos do coração. Ambos precisam se harmonizar como amigos que se aconselham mutuamente em busca do bom senso. É essa unidade fraterna que gera belos atos no mundo prático, onde o corpo atua como porta de entrada e expressão para nossas realidades e ilusões.
Alcançar essa síntese exige coragem: a coragem de se desapegar de amarras e medos, de agir com o coração e abrir-se ao novo sem impor verdades absolutas. Assim, mente e coração fluem juntos com doçura e força de amor.
Creio que a crítica de Osho atinja os excessos — as energias desequilibradas —, e não a busca pela harmonia. O que ele chama de "razão" na verdade se aproxima das forças vivas do coração em vista de uma revolução amorosa sobre a realidade. Portanto, a teologia, os conceitos, as palavras e as teorias não precisam ser prisões: podem e devem estar a favor da mesma intenção de construir um mundo onde cada pessoa guie sua vida a partir da dimensão do Amor.
(L. E. P. de Vasconcellos)
