ENTRE OS PRESIDENCIÁVEIS, QUEM MAIS UTILIZOU RECURSOS DE CONVENCIMENTO EM SUA CAMPANHA? Sinceramente, você acha que sofreu algum efeito disso?
Para uma resposta que fosse além da tão venerada opinião com peso de verdade, seria necessária uma análise completa de todos os discursos dos políticos presidenciáveis na atual conjuntura. O marketing de cada um e as opiniões públicas, sempre instrumentalizadas por planejamentos de profissionais experts no assunto, são midiaticamente lançadas como ondas sobre nós, simples mortais. Os falsos deuses têm um certo poder.
Infelizmente, não é possível fazer isso agora. Adoraria fazer uma análise filosófico-clínica de todos os discursos, mas não tenho tempo nem investimento para tal. Então, depois de muitas tentativas de manter uma campanha neutra nas redes sociais por princípios de discernimento, resolvi falar sobre minha opção presidenciável. Vamos lá!
Primeiro, algo que já circulava no mundo virtual — claro, contendo um slogan sensacionalista, como quase todos. Logo houve reação em defesa de candidatos, até aí normal. Eu já vinha observando o fenômeno das influências, todas afirmando serem bem fundamentadas. Mas surgiu em mim a questão: até que ponto cada um de nós pode sofrer um convencimento e crer em narrativas como verdades absolutas, depositando nossas esperanças sem buscar aprofundamento? Assim, ficamos à mercê do que só o tempo poderá demonstrar — quais serão as perspectivas corretas e os discursos que se provaram verdadeiros perante os fatos e coerentes com as realidades futuras.
Então, olhei para vários discursos, todos apresentando propostas aparentemente bem-intencionadas e legítimas. Mas ainda era pouco. Ouvi teorias da conspiração, esforcei-me para elencar contradições entre fatos, pensamentos e significados de conceitos. A idealização é forte demais. Meu Deus! Tive a impressão de que é assim que pensamos enquanto povo. Uma angústia tomou conta do meu coração. Pensei de novo: meu Deus! E os que sabem que pensamos assim, o que fazem de nós? Ainda assim, procurei escolher um candidato. E aí, na condição comum a todos nós, submeto-me às minhas perspectivas e esperanças. Sinceramente, como exercício de patriotismo, fiz minha escolha ponderada.
Considerei UM PODER QUE NOS ASSOMBRA: ferramentas para o mal-convencimento, como slogans, entimemas e retóricas muito bem elaboradas. Coitados de nós, povo! Que diabo de palavras são estas? São apenas termos que significam conhecimento técnico sobre a arte de convencer, independentemente de fatos ou verdades. Essas técnicas buscam produzir significados, podem criar realidades em nossas mentes. Mas também poderiam servir apenas aos fatos e verdades — só que, em campanha política, isso seria ingenuidade, romantismo moral e seria entendido como atitude de um potencial perdedor... A atual conjuntura, porém, não vai para um lado ou outro intencionalmente. Os experts, formadores de opinião, têm a habilidade de fazer um mix de fatos, verdades, mentiras, invenções e ludíbrios convincentes, invisíveis à percepção leiga. Basta ter uma lógica que incline a crer; parece faltar critério. Assim, perguntei em minha alma: afinal, somos marionetes deles ou de nós mesmos? Vivemos a cultura da escolha do mais fácil e útil. Seria isso um sintoma grave? Muito sério isso… Deixa pra lá!
Os slogans, entimemas e retóricas predominaram em todas as campanhas, acertando flechas certeiras em seus alvos: os corações e pensamentos de nós, eleitores. Essas ferramentas eficazes das artes do convencimento — retóricas e lógicas — mesclaram realidades e suposições reformatadas ou estimuladas em todos nós, criando noias ordenadas, alimentando principalmente verdades pré-fabricadas que apreendem, conduzem e induzem nossas mentes a se ordenarem sob tais lógicas, depois coletivamente reforçadas por nós mesmos nos bares, nas rodas de conversa e nos seios familiares. Que gravidade, meu Deus! Poucos conseguem escapar! A noia criada perpassa pessoas de bom coração, desde intelectuais até ignorantes, todo tipo de pessoa, compondo o que parece uma formulação própria do tempo atual. Mesmo que um indivíduo se esforce para escapar, algo estará ali, infectado como verdade. Uma droga! Uma tentativa é não crer totalmente em nenhuma e não ceder ao pessimismo, pois a simples oposição por lógica, muitas vezes, valida o outro lado. Nesta eleição, isso é um fato!
Então, o que fiz? Procurei ser razoável, nem tanto lá nem tanto cá. Analisei apenas o que dizem e mostram. E, de fato, como a maioria dos brasileiros, não tenho intimidade ou aproximação real com nenhum dos candidatos, nem com esta ou aquela mídia; não faço parte de nenhum partido. Portanto, analisei o que me restou: propostas, disse-me-disse, manifestações apaixonadas, um povo envolvido como nunca (um patriotismo imaturo que pode e deve amadurecer). Só me restou escolher com coerência e análise dentro dos limites da minha consciência.
Esse sincero limite de consciência, para os éticos e bem-intencionados, é um ponto comum como condição de escolha e possibilidade de todos nós, não acha? Afinal, não somos oniscientes! Eticamente, essa condição me faz respeitar a escolha adversa e a similar. Nessa condição, entendo tudo como uma tentativa válida — ainda que infectada por ludíbrios tecnicamente articulados. Fora disso, brotam escolhas imaturas, dignas de comiseração. Não quero crer, e parece evidente que não é intencional ou por mal, apesar de tudo que tenho testemunhado em termos de convicções.
Vejo que a privação de um mínimo conteúdo para uma habilidade qualificada de discernimento é uma desgraça para a sociedade, que se envenena ao simplesmente alimentar os sentidos ofertados para induzir. Essa privação desqualifica a chance de um amadurecimento para escolhas ponderadas! Ponderar é uma habilidade importante para quem pretende ter um espírito livre! Quantos estão nessa condição de privação de conteúdos? O analfabetismo funcional nunca foi tão expressivo. Não se consegue ler e entender; não se consegue escutar e entender o que o mundo do outro revela para si mesmo; o quanto o mundo do outro revela o que se é no jogo das relações; o quanto é possível compor intencionalmente juntos. Mas a "Babel" continua predominando e nos levando à ruína. Poxa! Quantas pessoas nem imaginam o que é um slogan, um entimema? Quantas não têm consciência de que essas construções de ideias, em suas articulações de convencimento, escondem dados — função e sintoma essencial de toda ideologia — e são regidas por reducionismos que enquadram a realidade de acordo com suas conveniências? Isso para o bem de quem? De um grupo? Do povo? Ou até mesmo ao acaso da torpe cegueira fanática? Quem são os senhores das novas oligarquias? Enquanto a luta pelo poder vai rolando, nós, o povo, vamos falando e reinventando novos comunismos, fascismos, direitas, esquerdas e supostos centros. Deus! São inúmeras as teorias da conspiração que, indiretamente, parecem uma confissão de quanto gostamos de ser vítimas… Mas deixa isso pra lá — ou não; restará arcar com as consequências.
Aleatoriamente, na "Brasil Babel", ao conversar com uma pessoa instruída que se diz de extrema direita, verifiquei nela um discurso sonhando com um projeto político que, a rigor, seria uma proposta ideologicamente próxima de um tipo de sonho comunista. Chegamos a esse ponto de perder distinções básicas. Com outro, de esquerda, ouvi opiniões de centro, sendo ele taxado por amigos como comunista. Outro, de centro, apresentou-se com ideais de radical esquerda. Isto é real em nosso "Brasil Babel". Discursos assim revelam a noia dominante e o quanto temos que estudar mais, aprender mais, conhecer mais, compartilhar mais de modo criterioso, pensar e escutar qualitativamente para ponderar melhor. Enfim, sair desta "cultura da noia".
As sabatinas que ocorreram pareciam gerar mais dúvida pela dúvida, em vez de elucidar os eleitores. Seria melhor a confusão ou a instrução? Sonho que um dia isto fique claro e natural em nossa cultura. Os eleitores, por outro lado, sem os debates, já tinham definitivamente escolhido. Nunca vi TANTA PARALISIA DE OPINIÃO. Talvez Jesus diria: "Deixe que os mortos enterrem os mortos". Mas, na complexidade atual, os mortos enterram os vivos. Onde chegamos?
Vejo qualidades e defeitos em todas essas expressões de tipos políticos — ninguém é perfeito, não é? Não é preciso tapar o sol com a peneira, ainda que isso traga a ideia e a sensação de um falso alívio.
Aquele que o espírito democrático, com seus defeitos e qualidades, eleger como nosso representante, eu o honrarei como tal. Ficarei de olho e espero que nos honre com uma representatividade qualificada. Espero que a paixão desta eleição nos faça a todos fiscais participantes da "governança". Aí está a expressão dos meus sonhos para o meu país: um patriotismo qualificado. Atributos de governança deveriam ter sido o fator mais exaltado por todos nós e pelos candidatos, mas o fenômeno ocorreu em outros aspectos.
Fiz campanha pelo discernimento. Agora, na reta final, como todos, faço uma escolha. Assim como a maioria de nós, povo bem-intencionado, apenas fiz uma escolha.
Que venha o resultado, e que o eleito contenha ou desenvolva em si todos os atributos necessários para uma governança concretizadora, qualificada, justa para todos, não ideológica, apaixonante e simplista. O mundo nunca foi tão complexo, com tanta novidade, tecnologias, tendências econômicas e novos comportamentos; quantos medos, inseguranças e tentativas de retorno ideológico. Dentro de um quadro não terminado, um atributo ou outro, bom ou ruim, nisso ou naquilo, só pesaram na minha balança. Por isso, em minha justa consciência e liberdade, pesou a opção, no caso, o 12 (Ciro Gomes). Apesar de ele também usar recursos de slogans, entimemas e retórica, sinceramente, na escalada, apenas achei que usasse menos. Mas essas se tornaram o veículo e atualmente pragas infectando mentes, inclusive mentes brilhantes; algumas, com dinheiro e estruturalmente, financiam as verdades pré-fabricadas perpassando esquerdas e direitas, em nome da ideologia de seus interesses — quase nada lhes é de graça!
Ainda que em desacordo com efeitos de massa, positivos ou negativos, neguei-me a participar das ondas que me atropelavam com caixotes. Deus ilumine nosso futuro.
Para quem não entendeu o que eu quis dizer, no entanto, vou demonstrar (rsrs):
Devo escolher aquele que é bom. Deus é bom, a igreja compartilha os ensinamentos de Deus. Zé frequenta a igreja, logo Zé é a melhor escolha.
Resultado esperado: Produzir associação de que Zé é bom. Por dado lógico, gera-se um entendimento e uma identificação pessoal a partir do "desejado bem" (valor), e a pessoa torna-se vítima de uma astúcia manipuladora que instrumentaliza o que ela tem de melhor: seus valores, virtudes e crenças do bem, neste tipo perverso de arte do convencimento.
O bom pai educa seus filhos. Tonho ama seus filhos; os filhos fazem arte; como "bom pai", surra seus filhos; por medo, os filhos não fazem mais "artes" que possam ser percebidas. Portanto, quem ama bate. Tonho é entendido como um bom pai.
Dininha conversa francamente com os filhos depois de uma arte; os filhos, que nunca apanharam, sentem a franqueza e a privação de alguns "gostinhos" como uma surra. Não fazem mais artes. Tonho viu tudo e pensa: "Essa mulher devia ter dado uma surra, eles aprenderiam mais. Péssima mãe!"
Resultado esperado: Desfocar o centro de atenção, que deveria ser o educar e seu efeito. Daí, o interlocutor se distrai no debate homem × mulher, exemplos de jeitos de educar, costume, tem que bater ou não… Distrai-se do que se deseja: uma educação qualificada.
Isso tudo para dizer que o sensato é fazer o seu melhor. Na política, a dúvida é condição mínima para uma escolha que possa gerar efeitos de um bem real, querendo aprender e amadurecer. Crer na política é diferente de crer no Absoluto. Isso pode dar uma chance preciosa de escolher com real liberdade e dignidade, que cada um de nós merece ter — ainda que se considere um erro depois, afinal somos seres limitados. Democraticamente, importa a liberdade de escolha; melhor se há empenho para escapar das armadilhas indutivas de convencimento, às quais todos estamos sujeitos.
Eu escolhi votar, na reta final, no Ciro Gomes, 12, e manifesto. Poderia não fazê-lo. Há pessoas que me conhecem que poderão repensar suas escolhas por causa disto, eu bem sei. Mas isso seria uma pena, a não ser que tenham feito seu discernimento ao máximo, pois optar pelo voto de um amigo seria uma consideração amigável, mas também irresponsabilidade e imaturidade política — isto é real. E teríamos mais uma vítima da armadilha perversa de uma lógica dos afetos, porém distorcidos de sua função natural: gerar vínculos humanos. Nada a ver com o reconhecimento da qualidade administrativa que exige um cargo político.
Se todo esse sincero e limitado texto for entendido por você como indicação ou convencimento para votar na minha — declarada e arriscada como qualquer outra — opção 12, Ciro Gomes, ALERTA! Por favor, releia quantas vezes for necessário. Se não entendeu o sentido deste texto, possivelmente você pode estar sendo uma vítima das artes do convencimento, e seu voto estará sendo uma peça de manobra. Seria mais coerente votar nulo ou pontuar os aparentemente não elegíveis.
"12, Ciro Gomes", considerando atributos para uma melhor governança, é minha respeitosa opção, numa aposta de quem possa ser o melhor para todos nós — o que é diferente de uma certeza (crença) de que assim será. É apenas minha melhor perspectiva, só isso, nada mais.
Por favor, faça o mesmo, pensando no nós, em sua melhor escolha, sem medos. Faça seu melhor, neste ou naquele. Meu conselho você já sabe! Já sabe que não deve ir na onda dos "conselhos", mas discernir. Manter-se discernindo no realismo deve ser a regra absoluta. O seu melhor revela a condição em que se encontra como ser livre, pensante, responsável e politicamente solícito a todos os brasileiros — ou não.
Respeito sua escolha; respeite a minha. Diferenças de opinião devem ser expostas e conversadas em vista de amadurecimentos; negar isto é negar a possibilidade de si mesmo. O patriotismo é um ponto que deve unir os que querem o melhor desenvolvimento, ainda que haja divergência de opiniões, pois, mesmo crendo em vias de projetos distintos, a fé projetada é para um bem. Há um dito popular bem ético: se não pode ajudar, não atrapalhe. O voto em branco ou nulo também carece de discernimento.
Vamos lá, e viva o Brasil!

Nenhum comentário:
Postar um comentário