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quarta-feira, 10 de junho de 2020

O Pensar considerando - Uma breve auto apresentação do autor


Olá, eu sou Luciano Vasconcellos. Estudei filosofia e teologia e vivenciei de perto a espiritualidade franciscana entre os frades menores conventuais. Nesse período, tive a alegria de experimentar o espírito do conhecimento como uma dimensão devocional. Tudo se encaixava perfeitamente com meus anseios de criança e com as lembranças de olhar para as estrelas — eram tantos pontos de luz...
Com a vida franciscana, veio a oportunidade de ouvir e partilhar as luzes e sombras de tantas pessoas. Concretamente, a alma humana ia se apresentando a mim em sua pluralidade de sentidos; cada experiência era um conjunto de relações que explicitava dores e alegrias, revelando mundos inteiros. Os problemas, os estados, as circunstâncias, as mentalidades e as alternativas daquelas pessoas — e as minhas próprias — tornavam-se vias de possibilidades do devir.
Naquele convívio, também pude experimentar um peculiar ambiente de debates. Foram muitas querelas que desafiaram e amadureceram convicções, enquanto afiavam as lâminas do pensamento. Era um ambiente formativo para a vida, que evocava outras percepções; tudo estimulava o desenvolvimento e a plasticidade da mente. A singularidade daquele estilo de vida era internamente plural, reunindo pessoas de diversas culturas sob a aspiração poética inerente àquela espiritualidade. Afinal, pude observar que as divergências sempre fizeram parte da vida franciscana, compondo um sentido sustentado por uma base amorosa, onde se crê que tudo é uma oferta da graça. Nesse sentido, fazia-se presente a adesão a um rigor intelectual vivo: em tudo estavam escritos os sinais do Divino.
A intelectualidade devocional franciscana foi um segundo portal de aprofundamento, em perfeita concomitância com a academia. O diferencial era que, na vida conventual, tudo acontecia de modo natural, fazendo parte do dia a dia, da cozinha, da mesa do jantar... Graças à velha disputatio, como faziam os mestres medievais do século XIII, as questões de hoje eram enfrentadas com o mesmo espírito. Eu adorava vivenciar as argumentações e ouvir os ensaios que brotavam dos corações.
Havia momentos em que os ânimos se alteravam nos tropeços das paixões e das certezas assumidas sem questionamento. Era a hora de recolher-se, permitir-se o confronto e direcionar-se a uma imparcialidade capaz de superar a vaidade da certeza — ou, do contrário, fechar-se. Mas aquelas circunstâncias, em si, faziam com que a porta ficasse aberta, até mesmo para os espíritos dados à teimosia, que sofriam em maior ou menor grau. Dali, inevitavelmente, contemplavam-se vestígios de outros horizontes, o que não tinha preço para quem tinha sede de conhecer. As divergências, ainda que incômodas, aguçavam a unidade no caminho de um processo de amadurecimento, e, volta e meia, as questões em aberto eram retomadas. Era um ambiente de grande exercício do pensar. Divergências, acertos e ponderações eram reais motivações para conhecer mais e mais. Eu via isso com bons olhos, o que me trouxe grandes libertações. E o mais instigante: entre um bate-papo e outro, havia uma busca por fundamentação que ouso dizer mais rigorosa que a da própria academia, pois os sentidos da vida estavam em jogo. Isto, por si só, traz uma mensagem ao mundo.
Sem dúvida, os conteúdos e a vida na academia promovem o desenvolvimento de um pensar amadurecido, mas, decididamente, isso não é uma exclusividade dela. O cotidiano daquela vida franciscana testemunhava outra realidade: vivia-se na pele o estímulo ao desenvolvimento intelectual e a consciência dos sentidos da vida. Não bastava a memorização de conteúdos, os bons resultados nas atividades acadêmicas ou uma excelente erudição do legado; era preciso saber articular. Muitos ali aprenderam a pensar sobre a tradição em relação aos dados atuais. Estávamos mentalmente vivos, extrapolávamos "programações".
Esta vivência prática trouxe-me a compreensão de que o desenvolvimento formativo, a transmissão e a produção do conhecimento — em todos os níveis — não devem ser exclusividade da academia, embora lhe sejam constitutivos como guarda, proliferação e produção de saberes. A primazia pertence ao pensar presente em cada indivíduo; ele funda e transpassa a academia, bem como qualquer outro setor da sociedade. A maturidade do pensar não é propriedade acadêmica, como pode parecer. A formação humana é um processo contínuo que intersecta tudo o que se concebe e produz, tanto material quanto culturalmente. O pensar está presente no dia a dia do Homo sapiens sapiens. O Pensar Considerando nasce desta consciência "con-sentida" e expressa uma experiência pessoal que desejo partilhar como uma nova vertente.
Olhando ainda mais para trás, tudo começa com a dádiva dos estímulos na infância. Os livros da estante de casa brincavam muito comigo. Foram muitas informações colhidas em coletâneas como o "Tesouro da Juventude", a Barsa e a Life. Quantas horas trago na memória, eu e aqueles livros sendo revirados a cada curiosidade — algumas vezes despertadas pelas conversas dos adultos —, a cada descoberta que eu admirava. Hoje, sem esquecer os livros, continuo abrindo o Google: basta uma dúvida, e o mundo virtual está aí a nos servir.
Dando um salto para a fase adulta, nas experiências da vida vieram a graduação em filosofia, a de teologia e a querida filosofia clínica — que considero uma vanguarda capaz de dirimir preconceitos, adornando a motivação do exercício do livre pensar que denomino como Pensar Considerando. Trata-se de um querer conhecer a partir das relações, um acontecer com ciência e percepção acolhedora dos sentidos, tanto dos corpos quanto das almas e de seus anseios. É permitir que, na finitude humana, possamos nos servir à mesa dos signos, significados e ressignificados, do permanente ao criativo. Caminha por aí.
Portanto, o Pensar Considerando serve-se da academia, das culturas, do cotidiano, dos acontecimentos, das ideias, dos sentimentos, dos encontros e das interseções. É um modo de articular e transitar entre o que está expresso e a independência de acolher, manter, aprimorar e até superar os sentidos, sob o foco de uma sobriedade entre o que se conserva e o que progride. Entre os erros e acertos do caminho, que a meta seja sempre uma ética do livre pensar, sem o enclausuramento dos preconceitos, mas acolhedora das diversas modalidades de ser e de suas expressões — desde que respeitem as outras existências e manifestações como garantia de si e dos demais.
Nesse sentido, o Pensar Considerando é uma abertura ao cocriativo que não cessa; é colocar-se na dimensão de um pensar inclusivo, que distingue, mas não exclui; faz escolhas sem destruir. Nesta perspectiva, uma identidade só existe em razão da diferença, entendendo a diversidade como a própria possibilidade do essencial. Não acolhê-la é negar o que viabiliza o reconhecimento e a expressão da própria identidade — algo fundamental para a reflexão atual, uma vez que o identitarismo excludente é uma das grandes causas de sofrimento na conjuntura coletiva contemporânea. Inconsequentemente, reduzem a realidade e as ideias a visões de mundo etnocêntricas, desrespeitando a complexidade e os conhecimentos que ultrapassam seus muros.
O Pensar Considerando também é um modo de refletir que acolhe as artes, as ciências, as religiões e tantas outras expressões singulares da beleza humana. Entre cores, sombras e luzes, dores e alegrias, todas elas estão permeadas pela busca e criação de sentidos. A rigor, não é possível pensar considerando sem apreender os sentidos do que se quer pensar; sem isso não há consideração, não se veem estrelas brilhando e, sem as luzes, nada resta senão as trevas. O Pensar Considerando é uma atitude ética do pensamento que não se fecha em si mesma: admite sistemas, mas apenas como fragmentos da totalidade, sempre parcialmente apreendida.
Convido você a participar desta perspectiva. Venha trilhar este caminho comigo, acompanhe este blog e siga o podcast e contribua com seu olhar. Se possível, seja também um apoiador desta iniciativa. O desejo é multiplicar horizontes para um mundo mais responsável e acolhedor. Iremos compartilhar e receber! Vem aí uma série de questões, reflexões, leituras, entrevistas, espiritualidade, ciência e arte. E contamos com a sua participação!

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