Ao alcance de todos I – Bom senso x Consenso
O senso refere-se à capacidade de entender e julgar. É a característica e a qualidade de quem é sensato e prudente.
O bom senso pressupõe um juízo ou entendimento qualificado. Ele possui uma abrangência que o torna menos suscetível ao erro e independente do consenso.
O consenso é um resultado quantitativo. Ele se dá pela concordância ou uniformidade de opiniões, pensamentos, sentimentos e crenças da maioria ou da totalidade dos membros de uma coletividade.
Exemplos e Reflexões:
- "Um líder democrático, ainda que munido de bom senso, deve se submeter ao consenso de seu parlamento. Caso contrário, será um totalitário."
- "Um sábio, em seu bom senso, defendeu um injustiçado. Contudo, por contrariar o consenso dos iníquos, o homem foi condenado como comparsa."
- "Em um regime totalitário, se todos os homens tivessem bom senso, seu líder necessariamente agiria de forma democrática. Portanto, o nome do regime deste utópico estado poderia ser qualquer outro, pois, novamente, prevaleceria o espírito democrático."
- "Em cada ser humano, o senso é peculiar. Há um conjunto de variações, acontecimentos e influências que determinam sua capacidade de entender e julgar. O humano, nesse sentido, está mais propenso ao erro porque não lhe é possível a onisciência. Sua pretensa consciência é o todo que lhe cabe na graça do aprendizado, na capacidade de distinção e na coerência entre seus signos simbólicos e as forças (leis) da natureza."
- "Não importa o regime: um líder será amado pelo povo ao bajular seus ouvidos, suas crenças e suas convicções..."
(L. Vasconcellos, 39)
Leitura recomendada: O Príncipe (Nicolau Maquiavel)

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