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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

ÉTICA, FÉ E O ESSENCIAL PARA TODOS OS TEMPOS

Será que Deus realmente vota no seu candidato, ou você só está usando o nome Dele para validar suas próprias vontades?
Em tempos onde as redes sociais transformaram a fé em cabo eleitoral e o julgamento em virtude, este texto é um convite — com carinho, mas sem rodeios — para darmos um passo atrás. Longe de ser um ataque a crenças, esta é uma reflexão franca sobre como a ética de Jesus e o nosso amadurecimento espiritual foram engolidos pela paranoia política. Deixemos de lado as certezas cegas por alguns minutos: afinal, o que nos une ainda é a nossa humanidade. Topa o desafio?

Que vaidade é essa de achar que Deus já escolheu o seu candidato? Será que julgas Deus um manipulador inconsequente ou és inocente demais? Ainda não amadureceu o seu pensar como espírito adulto? Caso não, há esperança na fé legada pelas Escrituras, pois a vontade divina é pedagógica: sempre opta, primeiro, por ser amorosa e acolhedora.
Em Sua iniciativa divina, Deus sempre mediou a comunicação por meio de Seus inspirados profetas. Na boca de Jesus, emerge a luz: “Deixai vir a mim as crianças”. Não pense que esta frase é apenas uma descrição literal e simplista. Os evangelhos não são reducionismos de aspectos históricos, como mostram os discursos ignorantes, ainda que permeados de ótimas intenções.
As Sagradas Escrituras, em seu conjunto, geram por sua própria natureza uma linguagem teológica, abrangente e simbólica. Por isso, a frase de Jesus não se aplica somente aos “pequeninos”, mas também aos fisicamente adultos que precisam desenvolver-se em espírito. Deus, em Jesus, expressa-se carinhosamente na palavra pequeninos — e essa já é uma linguagem simbólica.
Deus, o Todo-Poderoso segundo a tradição judaico-cristã, não está submetido à arrogância e à finitude influenciável de nós, criaturas humanas. Somos inclinados à lógica da busca pelo poder, um encantamento ou patologia de uma certeza cega, forjada na insistência de manter um "coração de pedra". Transformamos expectativas, mentiras e boatos em verdades. No contexto da comunicação digital plural e sem métricas, todos têm voz, mas muitas vezes aquém de uma ética.
Quanto aos fatos, saiba que a permissão de Deus para que algo ocorra difere totalmente de ser algo de Sua Vontade. Responsabilizá-Lo pelos nossos erros é uma infantilidade do ser humano que se esquiva de sua própria autonomia e responsabilidade.
Aos olhos e ao coração da fé legada, Deus pode chamar (e inspirar) para o serviço da construção de um mundo bom e justo desde o mais corrupto até o mais virtuoso, visando um bem maior. Ainda que paradoxal, isto faz parte da abrangência dessa fé. Afinal, o Espírito Santo "sopra onde quer e quando quer".
Crentes são apenas humanos sujeitos a cegar-se ou a perder-se em pensamentos e atitudes hipócritas. Por isso, convém evitar essa torpe manipulação de Deus, tão comum nesta era que negligencia a orientação: "Não tomarás o Seu santo nome em vão". Cabe urgentemente a cada consciência perguntar: O que está fazendo, filho(a) de Deus? Não entendeu o que ensinam as Escrituras ou só vê e escuta aquilo que lhe convém?
Nas Escrituras, vemos um "Deus que não faz acepção de pessoas". Um Deus que, em Jesus, diz: "Não vim para os sãos" e "Devemos amar os inimigos". Esta difícil máxima do cristianismo revela que a lógica de Deus ultrapassa a nossa. Na busca por fidelidade, muitas vezes reduzimos o caminho divino aos excessos do moralismo; quando isso acontece, a chance de nos aproximarmos de uma autêntica fidelidade segundo a ética de Jesus esvai-se.
A ética de Jesus é bem maior do que aquilo que alguns entendem por "moral e bons costumes", principalmente quando a defesa destes gera mais sofrimento do que libertação. A ética de Jesus funda uma moral, e não o contrário. Não nos esqueçamos do radicalismo de certos fariseus: muitos não deveriam abraçar tamanha finitude.
Jesus na cruz, um inocente condenado sob a pressão de uma massa de pessoas, diz: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem". Tudo indica que, entre estes, estavam os doutores da lei, os incitadores do povo. Ou seja, o que eles sabiam não foi o suficiente para acolher ou perdoar Aquele que julgaram ser contra o que acreditavam. Não viram Deus em Jesus; viram apenas um blasfemador, uma ameaça à sua sobrevivência diante do Império Romano. Afinal, não compreenderam que Jesus tinha aversão à violência, preferindo entregar-se ao destino que Lhe tocava e apresentando a outra face — algo que tanto encantou os primeiros cristãos.
Diante de tudo o que vem acontecendo, convém expressar de novo: Meu Deus, meu Deus! Será que sabemos o que fazemos? Na arrogância e no diabo de uma pseudojustiça, teremos certeza de que sabemos claramente sobre nossas escolhas? Ou somos levados por evidências falsas, sob postagens incitantes repetidamente compartilhadas sem escrúpulos? Infelizmente, a mente convicta se sujeita ao agrado das próprias mentiras. Humildade e ponderação têm passado longe após a libertinagem dita por alguns como "mídias independentes". E dessas ações impulsivas e inconsequentes, que consequências virão? Não serão apenas as ilusões presentes.
Aos olhos da fé tradicional, aquele ou aquela que o povo escolher há de ser ou não um servo ou serva na construção do Reino de paz e justiça? Os seus meios serão justos? Tratará a todos sem acepção de pessoas, mediado pela ideia de uma representatividade em comum? Será que se sentirá — ou será tratado e amado — como um deus na silenciosa idolatria de conchavos ideológicos de falsos profetas?
Se um profeta do passado nos visitasse hoje, talvez deixasse um recado:
— Afinal, não vês que Deus “faz o Sol nascer para bons e maus”? Por que muitos, em suas atitudes, negligenciam a orientação de Jesus: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é”?
Deus é justo, bom e compassivo. A lógica de Deus não é a lógica forense (dos tribunais humanos). É muito mais: é a lógica da graça. Ela é capaz de tornar um assassino de cristãos em um mensageiro do amor, como fez com Paulo de Tarso. Por que muitos negligenciam isto?
Para que haja a lógica da graça, é preciso espaço para a mudança interior. É preciso escutar a Deus para a superação das próprias vaidades, costumes e convicções, que não passam de construtos culturais temporários, invenções e projeções mentais. O lado positivo é que a fé transmitida pelas Sagradas Escrituras, em sua pedagogia da revelação, é maximizada e plena em Jesus — ainda que por Ele reconhecida como limitada na carne, outra verdade esquecida por muitos cristãos.
Jesus é um humano fantástico. De certo modo, revela a esperança de Deus em cada um de nós, sem exceção: a todos há a possibilidade de amadurecer a cada dia. A divindade de Jesus é encarnada, aberta e criativa, sem nunca se perder da ética do Amor do Pai. Então, espera-se que haja um processo de metanoia (conversão/mudança de mente), e não toda essa paranoia que se instaurou neste tempo. Converter-se todos os dias! Para a escuta e para o entendimento, senão, não há discernimento. Sem este, sobra histeria, paixões cegas, provocações danosas e desmedidas.
Neste momento, e para muitos outros contextos, não se trata de levantar uma mão, aceitar ou não aceitar, ser julgado ou não, merecer o céu ou o inferno, fazer parte ou ter o reconhecimento deste ou daquele grupo. Não se trata meramente de crer ou não crer agora. Trata-se do que é essencial: trata-se de ser ético, de pensar e agir em conformidade ao Espírito do Cristo. É preciso abraçar o Seu querigma (a mensagem central do Evangelho).
Nas redes sociais, o desrespeito virou um caos. Ser cristão significa, também, empenho em ser ético como o evangelho mostra que Jesus foi. Se alguém não é cristão, cabe-lhe ser ético por nossa própria condição humana comum. O paradoxo em Jesus é que, no corpo da fé que predominou, Ele é o Deus que assume a condição humana. Isto é revolucionário quanto aos arquétipos de poder.
A condição humana é o que nos une. Todos temos as mesmas necessidades naturais e vivemos no mesmo mundo. Na religião de Jesus, temos a história de um Deus que esvaziou-se nesta condição humana — isto é um dogma do cristianismo (como mostra a carta aos Filipenses). Não dá para o cristão ignorar que isso é um dos dados essenciais de sua fé. Sem isso, passará a vida inteira professando uma fé permeada de equívocos e embriagada pelo poder, sem uma autocrítica interna. Aí as coisas desandam!
Entenda, por amor à humanidade, o que é ser ético, o que é o pensar e o sentir ético. A ética é a nossa única possibilidade real para que crentes e não crentes sejam coerentes consigo mesmos, com seus semelhantes e com a ordem do cosmos, da natureza e do Bem — o “Sumo Bem, a Plenitude do Bem”, como dizia Francisco de Assis. É preciso entender que, para nos movermos numa construção harmônica neste tempo — seja no campo econômico, político, profissional ou pessoal —, temos que ser éticos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Os Sábios estão sem vez

"Em um mundo saturado de certezas rasas, vozes barulhentas e respostas fáceis, o que ainda resta para quem busca a verdadeira sabedoria? Vivemos o desafio de navegar entre ilusões, desinformação e julgamentos apressados. Mas e se a verdadeira força não estiver em ter todas as respostas, e sim na coragem de encarar nossas próprias limitações e aprender com os erros? Convidamos você a fazer uma pausa no ruído do cotidiano e mergulhar em uma reflexão profunda sobre discernimento, humildade e o papel da sabedoria em tempos tão incertos."


 

"Um sábio, depois de tanto estudar a alma humana, seguia aprendendo e ainda nada sabia. Ele descobriu como as convicções são capazes de cegar e aprendeu a ver seu próprio pensamento acontecendo — uma habilidade que ajudou a si e a outros a se desenvolverem —, mas parecia-lhe que muitos não conseguiam pôr isso em prática.

Continuava seu caminho de ofertas, continuava aprendendo. Aprendeu que a dúvida pode ser boa e, muitas vezes entre risos, como louco, não tinha escrúpulos em duvidar de si mesmo; entendeu que a mente também mente. Em suas contemplações, observou que a mente faz preenchimentos para agradar a si mesma e percebeu que os sentidos da alma também falham, assim como os do corpo: quando os olhos se fixam num ponto, cega-se para os outros.

O sábio ia seguindo seu caminho, mesmo sabendo de suas limitações. Certas vezes, em nome de sua sede de justiça (coisa boa como valor), caía em erros e julgamentos precipitados decorrentes de pobres considerações. Eram instantes de pobreza de espírito, a hora do impulso não mediado, não meditado. Mas ele, no exercício da sabedoria, voltava atrás e continuava aprendendo. Ora se entristecia pelas consequências das equívocas paixões que lhe pareceram nobres naquele momento; ora se alegrava por mais um oportuno momento de aprendizado, pois descobria que a força das paixões exacerbadas em causas e questões imediatistas, quando não mediadas, geralmente tende a gerar danos.

O sábio é como um grande espelho das tendências e vivências comuns a todos entre tantos devires e escolhas. Sua sabedoria tem raiz em conhecer a si mesmo na alteridade com os outros. Ele percebe a si mesmo acontecendo, exercita-se em não ser conduzido, prefere participar e esforça-se para não criar ou reforçar armadilhas de sentido que se apresentam no caminho. Mas, mesmo assim, falha: é apenas humano, com o diferencial do esforço para melhor discernir. Apenas isso!

Quantos de nós sofrem, sem se dar conta, nas armadilhas que se constituem numa estrutura de agrado da mente estagnada em suas conveniências? Quantos vivem, agem e pensam sob impulsos identitários de uma ideologia qualquer? Quantos são realmente espíritos livres e éticos?

Afinal, o que é o homem bom? Onde está o ser humano integral em sua finitude? Certo é que o tempo não para, mas o 'ser para a morte' tolamente vive como se esta condição fosse eterna e, assim, escolhe alienar-se do que importa...

Agora imagine: quantas pessoas amadurecidas compartilham seu precioso saber enquanto outros, gratificantemente, consomem apetitosos lixos como se fossem o 'tudo de bom'? Agora imagine: quantos despertarão de suas crenças limitantes, sentidas e escolhidas como as verdades mais coerentes do mundo? Convicções forjadas em fechadas visões de mundo, alimentadas por segmentos etnocêntricos ou identitários, agregam o apoio de pessoas que sofrem num espaço de comodidade mental, espaço de uma alienação comovente que não se comunica para fora. Nesses agrupamentos, instala-se uma mentalidade onde não há espaço para ponderações, pois a mente segue convicta em suas manias de um mundo produzido e estagnado. Portanto, não haverá culpa, haverá apenas certeza; não tem como existirem evidências de outras significações, e outros horizontes serão ameaças descartáveis.

Todavia, para alguns que se envolvem num contexto desse tipo, cabe a compaixão sob o pressuposto de uma certa condição de inocência ou ignorância, caso permaneçam em uma privação de oportunidades e estímulos na qual o processo pessoal de maturação encontra-se estagnado. Já outros que muito receberam, por teimosia, arrogância, preguiça mental, vil comodidade, mesquinhez e atributos como o mau-caratismo, há de se questionar e responsabilizar. Um sábio medieval, considerado uma pessoa sublime em inteligência emocional, chamava pessoas com esse comportamento de 'irmãos moscas' — ou seja, pessoas que vivem somente pelos impulsos de alimentar seus 'estômagos', dando-se bem a partir do esforço dos outros.

Parece coerente pensar que a humanidade, pela condição óbvia de sua natureza finita, deveria gerar um grau de humildade nos espíritos, diminuir a arrogância e o apego a verbalidades inúteis. Mas, infelizmente, este é um tempo em que as vozes de conhecedores são sentidas por muitos como uma opinião qualquer e, algumas vezes, absurdamente subordinadas a subjetividades. Este contexto tornou-se uma mina de ouro para pervertidos experts, que seguem forjando e alimentando uma extensa rede de massificação de opiniões; uma fábrica de ideias falsas que, vendidas e camufladas de verdades, são consumidas enquanto preenchem de vis sentidos a vida de muitos, enquanto os exploradores de almas seguem se dando bem.

Expertise não é crime, e, como há quem a ela adira, esses mentores seguem se beneficiando da fraqueza humana. Sutilmente ou até escrachadamente, influenciam inúmeras mentes vendendo-lhes desejos por meio de gorjetas de satisfação viciante em suas esperanças. Tornam-se tutores de uma pretensa verdade e de pretensas soluções, ampliando o espaço para insanas opiniões e eleição de heróis como se fossem solucionar todos os problemas. Pessoas comovidas por tais sistematizações de ideias tendem a se perder numa dependência da existência desse mundo inventado — e não por maldade, mas em razão de suas esperanças. Entram num movimento de reação, negando falas, ideias e projetos com propriedade e o direito a saudáveis contradições, tão necessárias à prudência.

Infelizmente, isto está naturalizado no mundo atual. O que sobra é uma disputa por espaço entre tolices absurdas que distraem as orientações e decisões daquilo que se deve considerar prioritário ou essencial. Somos uma sociedade onde sábios de fato perderam seus espaços e funções. Vivemos um caos social em que os cidadãos se apartam do conhecimento de suas legislações como alicerce igualitário e ordenador impessoal da ordem nacional; parece que nunca tivemos bom senso, e o consenso sempre veio aos trancos e barrancos.

Ultimamente, mais do que nunca, as redes sociais se tornaram a nova e mais forte expressão da Torre de Babel, onde milhares dão credibilidade à mentira e à inversão de valores perenes que garantem o desenvolvimento humano. Basta o placebo de uma satisfação para que a força técnica de convencimento não seja questionada, enquanto se produz um consenso meramente numérico que determina o rumo de países. Assim se caracteriza essa dominante força medíocre que determina os espaços políticos.

Que tempo é esse, em que parece que tudo quanto provier de sabedoria e ponderação deverá tornar-se resistência? Que tempo é esse, onde todos podem se expressar, mas ninguém parece ter a força da razão? Que silêncio é esse de tantas vozes do bem, emitidas, mas não auscultadas? E, ainda assim, alguns podem sentir alguma alegria porque compartilham e se manifestam. Não basta poder se expressar, há de se querer mais...

Por outro lado, os convictos 'filhos da pós-verdade' irão legislar e governar por vias demagógicas, apoiadas na crença quantitativa parcial que legitima uma representação que se diz de todo o povo, onde os símbolos nacionais e até mesmo Deus, numa idealização, são instrumentalizados e adestrados absurdamente a um segmento.

Esta realidade que se concretiza como traço da época é mais uma das presas dos feitos humanos. Mas, neste contexto, a esperança, agora instrumentalizada, deverá se converter diante das factualidades dos sofrimentos e manter-se viva, pois da Babel sempre prevalecem infelizes consequências: o choro chega como resultado que não provém do acaso, mas de um erro, de uma negligência.

Imaginem: tivemos o Museu Nacional a queimar, a prova de um descaso estrutural. Será que isso despertou algo? Será que erros assim se convertem em sabedoria, mas a que preço? O que nos falta? Serás tu, sabedoria? Não seria muito melhor se o mundo das livres opiniões fosse elaborado com pelo menos uma pitada de ética, sensibilidade, estímulo à reflexão e boas ponderações? Será que recebemos os estímulos certos? Nos passaram as lições certas?

Que situação! Se continuarmos como estamos, presos nesta roda de guerra de ideias e lutas pelo poder político, eternizando nossa tradicional falha administrativa, será que em tempos de eleição expressamos apenas um histérico pedido de socorro e apostamos cegamente? Por que passamos a admirar a arrogância pelo poder e as autoafirmações? Até quando nos submeteremos a trocas de favores? Até quando mentalidades em que não há espaço para provocações e plasticidade irão impedir o desenvolvimento? Até quando a opção pela comodidade e pelo que parece mais fácil será nossa escolha?

Pelo jeito, estamos num tempo em que até as pedras devem começar a gritar! Mas a boa escuta, a ação eficaz e a madura consideração parecem ir muito mal. Há muita falta no caminho da sabedoria! Se não se assumem erros, não se aprende com eles! Somente pessoas que se dão conta do próprio tempo, das circunstâncias e das tendências nas quais estão inseridas podem desenvolver-se nos caminhos. Essa deve ser uma tarefa de todos para que cheguemos ao patamar de um povo que pode discernir sempre melhor — um povo disposto a aprender com os erros, reconhecendo o papel de cada um na soma de todos; um povo que avalie a retidão política sob valores e razões de bem comum que estão acima de segmentos como direita ou esquerda.

Temos que ter ciência de que os lados devem se submeter ao que importa. Há de se ter um mínimo de lucidez, atitudes e estratégias que nos protejam sempre, ainda que tenhamos que inventá-las. Isto seria ser um país 'abençoado por Deus', como diz a canção. Isto tem que ser nosso desejo, nosso fazer, nosso compromisso até o fim, enquanto povo. É preciso efetivar sábios líderes, cujos defeitos pessoais não se sobreponham ao interesse comum. Se errarem, que se mostrem dispostos e eficazes a consertar os erros que devem ser assumidos.

Infelizmente, estamos num tempo em que a simpatia midiática se confunde com competência, onde o identitarismo organizado se tornou uma fábrica de verdades inventadas que dão muito lucro. Portadores de saberes não têm a devida credibilidade e voz, mas eles estão por aí. Em vez de reacionarismos, é preciso voltar a escutar, perceber para melhor julgar... Saber articular acolhendo e unindo as diversidades. Não há vergonha nenhuma em tentar acertar, mesmo que dê errado."

sábado, 1 de setembro de 2018

A hora da escolha

A hora da escolha

"GENTILEZA GERA GENTILEZA", frase de um "louco" que encantava os bons corações. Eis um tempo em que muitos, sentindo-se coagidos e atônitos, urgem por "máquinas" de violência como "justiça". Pelo jeito, humanos como Jesus, Gandhi, Francisco e Luther estão fora de moda. Afinal, neste tempo, mudanças pacifistas são algo ultrapassado e sem valor? Existem soluções menos drásticas para os nossos problemas sociais e econômicos? Será que não basta a morte de tantos outros "cristos" anônimos?

Os ensinamentos de amor dos livros sagrados são ou não usurpados pelas interpretações convenientes a medíocres opiniões? Se sim, assim Deus não tem voz; atitudes do bem fazem-se estéreis enquanto as vozes de uma besta ludibriam os corações com sua egoísta verdade histérica. Há um novo salvador, é isso? Por acaso, a política democrática não se dá como mediação e articulação? Ou a política se reduz às propostas eleitorais?

Em tempos de desespero, seria muito bom ver que a maioria de nós se empenha em analisar, pensar duas, três, quatro vezes... antes de decidir. O equívoco em nome de "esperancismos" e desequilibrada sede de justiça pode trazer males irremediáveis. Não há um herói! Haverá um corpo político e suas sequelas excelentes, boas, médias ou catastróficas.

Vamos acordar! Ainda há tempo de despertar. Faça o seu melhor, seja sincero e realista, tente uma boa escolha. Mas antes, informe-se, permita-se duvidar, conheça o máximo sobre todos, busque a imparcialidade, decida por si em consideração aos outros — isso compõe o bem-fazer para melhor escolher, é o que podemos nesse momento de escolha! Só depende de cada um em seu melhor. Nenhum de nós é um deus da verdade. Que prevaleça o bom senso e a responsabilidade; não basta seguir uma onda, ela pode te dar um caixote. Saiba surfar. Política precisa ser entendida e assumida como algo que realmente é sério. Vamos cuidar!

(L. Vasconcellos)

quinta-feira, 10 de maio de 2018

HUMANO EM TEMPO


Em graus e momentos distintos, ora sensações de alegrias, ora uma repentina dor emoção, ora consciente, ora sem nada perceber; ora um misto de tudo sem nada de ênfase, ora algumas ênfases, acontece. Pesquisar, entender, negar, aceitar ou integrar, eis um caminho de depois.
A composição da vida flui, alternando a exaltação, a moderação e o desânimo versus a quietude. Há um livre fluir ainda não liberdade, nem ruim, nem bom, natural, acontece. Mas um tempero, o sentido dado, escolhido, ora criativo, é a chance de aceitar-se único com todas as responsabilidades na trama do devir. Expressando o existir de que no devir sou, no devir sou livre, no devir alicerça-se todas a minhas concretas possibilidades desta condição, no devir escolho. Posso negar, posso aceitar, posso transformar, posso parar, posso continuar, posso assumir a "Zoé" em muitas dimensões, exultanto assim meu tempo "Bio" na beleza de ser humano. Humano em tempo!
(Luciano Vasconcellos.25)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A via do destino

"Quando nos empenhamos no bem fazer, executar e distinguir entre os acontecimentos e as circunstâncias, participamos do movimento de tornar o destino favorável"
     (Luciano Vasconcellos.19)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Além no agora

     Ainda haverá o tempo que não passa, onde não haverá mais perdas, onde o reencontro será certo, não sentiremos mais saudades, viveremos a presença e o amor juntos de todos os queridos. Contudo, agora neste tempo, ainda que com a dor de uma eterna ausência, dentro do coração está esta esperança que a vida é mais que este agora. Oxalá, de uma dimensão que agora não vemos, os que amamos continuam sorrindo pra nós, numa mesma esperança de um novo estar, pleno de alegrias."
      (Luciano Vasconcellos.18)

domingo, 4 de junho de 2017

Contemporâneo Amor

"Amor, Amor, Amor!..."

A vida é preenchida de muitos acontecimentos e nem tudo precisa de explicação.
Há de se contentar, pra não se perder, pois encontrar não tem preço, se dá...

Cada um a seu jeito vai direcionando, moldando, uns voando, outros sem sair do lugar, importa estar bem!

Gosto de lembrar de tudo , dos sorrisos como os seus inspirando os meus

Gosto da beleza de amar sem as amarras da posse.

Desejo o afeto gratuito, próprio do acaso do amor, presente que sinto, Livre do tempo

Afinal não se faz planos para o sentir amor,  ele simplesmente acontece!
"Aqui e acolá, aqui e ali" sem sair do coração vai lá e cá, risos da alegria.

No tempo das vivências se fortalece em vínculos, ainda que exija a doçura do cuidado. E o quanto agente se distrai...
Quantos pecados já fiz!

E cuidar é te querer bem, favorecer o seu caminho de felicidade! Alma eterna.

A cada amanhecer gosto de ver a luz do sol pela janela, a esperança ecoa vida, quanta vida!

Gosto de ouvir os passarinhos cantando
Sinto tudo como um paraíso que se anuncia, estou aqui! Tão perto.

E nas dores, faltas, saudades e alegrias, no espelho de seus olhos me vejo par de sua alma.

Então, acho um mundo lindo, diferente do meu, do que eu via...

E na mistura dos dois, tantos mundos, expressamos "Deus" criando os inesperados mundos novos pra nós dois!

Diferente do que esperei,
Diferente do que esperou
E a expectativa como ontem é presente ao que não se sabe do que virá
E a vida flui

Interessante e que eu como vento, movente em liberdade carrego te junto em memórias e pensamentos.
 Incrível, não me prendes e és sempre comigo, chamo isso: Amor.

     (Luciano Vasconcellos.17)