Pensar considerando é um modo de relação com as concepções, como se juntos olhassemos em direção às estrelas tendo a percepção de uma imensidão sentida, nunca totalmente apreendida... Este blog pretende ser um espaço de partilha de idéias, construção de reflexões, saberes e exercícios de descobertas sob a ótica da consideração.
sexta-feira, 6 de março de 2026
Entre a Esperança e a Dor: O Humano como Projeto em Aberto
Entre a Esperança e a Dor: O Humano como Projeto em Aberto
Por Luciano Vasconcellos
A humanidade não se constitui como um conceito estático ou um produto acabado. Vai muito além da biologia: ser humano é, acima de tudo, um exercício simbólico que dança entre sensibilidade e inteligência. Trata-se da forma como se ordena e se vivencia aquilo que se idealiza e se nutre como sentimento do “melhor”. Nesse sentido, a humanidade é um valor transtemporal e uma via de construção ético-prática: flutua entre o que já se foi, o que se é e o que se deseja ser, em um movimento contínuo que tanto pode expandir em consciência, aprimoramento e compromisso, quanto pode esfriar-se em seu próprio dinamismo e estagnar-se, chegando a inverter-se em processo de retrocesso comportamental e cultural.
Trata-se de uma espécie dotada de inteligência, apta a fazer escolhas e a dar direção, capaz de interagir e de se moldar na conjuntura dos próprios sentimentos. O ser humano é inerentemente criativo, apto a construir sentidos para a vida — ora belos e realizadores, ora inconsistentes e autodestrutivos. Entre experiências sentidas como positivas ou negativas, o percurso é sempre particular. É curioso, e até lamentável quando se almeja um avanço contínuo, notar como essa mesma inteligência pode se tornar um meio de autossabotagem. Muitas vezes, em vez de se convergir para um ser mais consciente e colaborativo, permitem-se que visões de mundo circunscritas e limitantes — a exemplo de bolhas digitais ou pautas identitárias — desvirtuem o potencial de harmonia entre a individualidade e o coletivo.
Infelizmente, vive-se um desequilíbrio evidente em narrativas que visam disseminar ideias a serviço do controle pela alienação do salutar papel de uma crítica ética. Esse mal se naturaliza e se dissemina, especialmente, pela perversidade de modos de gestão negativa por interesses de poucos no poder e, também, pela ignorância ou pelo desinteresse de muitos. Muitos se encontram distraídos da noção fundamental de que se é parte da natureza, e não seus donos. A organização econômica e social sob o estandarte de uma ambição cega faz a Terra “chorar”. Evoluir e avançar é necessário, mas o “como” isso se faz é o que define as sequelas que se deixará para o futuro.
Hoje, muitos vivem como se a vida fosse um trajeto isolado, sem sequer se dar conta de que se eximem de iniciativas e responsabilidades que nutrem minimamente o bem comum. Há uma espécie de embriaguez em duas paixões: o consumo desenfreado, no qual qualquer coisa ou pessoa pode se converter em produto em nome de uma comodidade negativa — uma espécie de ditadura do prazer que ignora a moderação ou o equilíbrio no uso das coisas e das relações. Essa negligência com a sustentabilidade e com as trocas de energia que sustentam a vida é um sinal de alerta máximo, um indício de que, coletivamente, as forças da sensibilidade se encontram castradas. Há quem prefira a insensibilidade, treinando o espírito para ignorar dados da realidade, pois o que não está na consciência não precisa ser pensado. Esse é o pior estado da privação: o sujeito que se autopriva de enxergar a própria finitude e a chance de se humanizar continuadamente.
A inteligência, nos jogos de signos e significantes, pode servir à cura ou à destruição; eis a grande questão do poder de escolha e destino.
Assim, na vida atual, quem se isola para tirar vantagens egoístas, sem a “poesia prática da alteridade”, acaba por viver um pessimismo disfarçado de sucesso. São indivíduos livres que se tornam “meias-marionetes”, aceitando arquétipos prontos que dizem: “não pense, apenas consuma e acredite que é feliz”.
Até o ditado “errar é humano” tem sido usado como muleta para a negligência. Mas é preciso diferenciar as coisas: o erro é uma falha de cálculo, um alvo perdido por limitação técnica ou imprevistos. Já o equívoco ocorre quando se age acreditando estar certo, mas falta a consciência moral das relações e dos efeitos sobre o todo; a parte se julga universal, o que é um sinal de comportamento totalitário que se distingue de uma mera opinião egoísta. Reconhecer quando o equívoco se torna o ponto de referência nas narrativas é o amadurecimento necessário do qual a era tanto carece. Isso merece ser levado à clareza.
Em um mundo saturado de meias-verdades, onde pseudoautoridades gozam de status de credibilidade quase divina, a repetição de postagens infundadas e de curtidas tornou-se ferramenta de convencimento. E, na esfera individual, o outro mal é deixar-se convencer passivamente: a nova forma de escravidão do espírito. Ao fim, é preciso entender que as interconexões têm começo, meio e fim — e a qualidade desse trajeto depende da coragem de ser, finalmente, inteiro.
Síntese
O texto convida ao despertar do estado de “meia-marionete” imposto pela cultura do consumo e pela insensibilidade social. Ao distinguir o erro técnico do equívoco moral, o autor reforça que a humanidade é um projeto contínuo que exige responsabilidade ética e harmonia com a natureza. A verdadeira evolução não está no acúmulo ou no poder, mas na capacidade de integrar a singularidade individual ao destino comum da espécie.
Há algo sempre a despertar
Que venha lucidez
Cada pensamento
Eis uma resposta contextual
A alma é poética, mítica e descritiva...
Força lançada para fora
Um vento que passa
Vai além sua origem
O Propósito torna se brincadeira
E o que nasceu recontextualiza
O novo encarna singularidades.
Nela não há repetição
O vem a compor-lhe
Há um tudo de novo
A experiência é única
Mundo dos eus
Seja simbólica
Seja diabólica.
Lá um "Deus" fala
Há um campo imaginal
A sacada importa
Do oriente a Dança flui
Balançar é equilibrar-se
Praticar é conhecer
Sentir é viver
Sorrir é alegria
Hoje a vida corre
A alma quer ser máquina
Obsessiva, moderna
Metas são plantadas
Tudo deve estar
Na fôrma de uma forma
Engana-se feliz assim
A aventura não é desordenar
É liberdade de somar
O útil verte-se inútil
Se nobre sentido se perde
O prático verte em ócio
O ócio é trabalho
Deveria ser
Poderia ser
Nunca escravo
O inútil a nada serve
A nada precisa responder
Nossa! Quão útil és
A modernidade perde a leveza
Tudo se cobra
Naturalidade vira a falta
O tempo para contemplar
O coração geme silêncio
Mas se olhas o horizonte
A oportunidade se faz
Há beleza nisso
Há algo sempre a despertar!
TAIJIQUAN: A ARTE DA INTEGRALIDADE EM UM MUNDO FRAGMENTADO
Por Luciano Vasconcellos
O Taijiquan (Tai Chi Chuan) foi reconhecido em estudos da Universidade de Harvard como um dos sistemas mais eficazes para a manutenção da saúde. Segundo o Harvard Medical School Guide to Tai Chi, a prática é definida como uma "medicação em movimento", capaz de tratar e prevenir os males da vida sedentária e do estresse crônico. Esta arte, embora oriunda do vilarejo de Chenjiagou, na China, transcende suas origens camponesas para dialogar diretamente com as necessidades da natureza humana global.
A Crise da Funcionalidade e o Resgate do Ser
No cenário atual, a estrutura da vida moderna tende a reduzir o ser humano a meras funcionalidades de produção apressada. Essa dinâmica condiciona mentes responsáveis a um estresse que desvirtua a ordem do "ser integral". O mal-estar contemporâneo não advém apenas de escolhas individuais, mas das sequelas de uma vida onde os afazeres servem a segmentos específicos, tornando a manutenção da existência uma constante "objetificação". O bem-estar passa a ser entendido, erroneamente, apenas como o cumprimento de metas.
Contra essa fragmentação, o Taijiquan se abre como um leque de benefícios. Não somos apenas partes isoladas — corpo e espírito, fisiologia e energia. Como aponta a Teoria dos Sistemas Complexos aplicada à saúde, o ser humano é o resultado de suas interações, pensamentos e relações. Ao priorizar apenas algumas dessas partes, fragmentamos nosso potencial.
O "Co-nascer": Conhecimento como Transformação
Praticar Taijiquan é permitir-se um processo de "co-nascimento". Ao conhecermos a arte, instauramos um grau de intimidade conosco. Como seres em contínua composição, não somos estáticos. O Taijiquan é o modo prático de viver essa dinamicidade no corpo — a geografia onde tudo se localiza. Enquanto respiramos, estamos em tempo; e é nesse corpo que o espírito se expressa.
"O Tai Chi não apenas melhora a forma física, mas reprograma a resposta do sistema nervoso ao ambiente." — Wayne, P. M. (Harvard Health Publishing).
Além das Categorias: Uma Prática Transversal
Embora seja uma arte marcial interna, uma terapia natural e uma filosofia de vida, o Taijiquan não deveria ser limitado por legislações que o enquadram em apenas um desses nichos. No Ocidente, temos o hábito de fragmentar para conhecer, o que acaba por reduzir juridicamente uma arte de natureza transversa.
O Taijiquan é uma meditação ativa e uma "ginástica de expansão cerebral". Estudos de neuroplasticidade demonstram que a prática sistemática aumenta a densidade da massa cinzenta e melhora as funções cognitivas. Não se trata de uma ideologia para mudar o mundo, mas de um exercício de integração entre o "dentro" e o "fora". É sabedoria integral comprovada na pele e confirmada pela ciência.
Sobre o Autor
Luciano Vasconcellos
Professor e praticante de Taijiquan há mais de 30 anos. Oferece aulas presenciais e online, media rodas de conversa e realiza atendimentos terapêuticos baseados em escuta analítica e práticas corporais.
- Contato: +55 (24) 99981-5692
- E-mail: espacolagartoazul@gmail.com
domingo, 25 de janeiro de 2026
A Raiva: Da Proteção à Desordem – Uma Análise sobre sua Função e sua Distorção
Convite ao Leitor
Convidamos você, leitor, a observar com gentileza os processos e contextos da sua própria raiva. Este olhar pode ser um passo profundo e um gesto para a transformação. E para quem deseja ir além da reflexão e encontrar ferramentas corporais para essa jornada, convidamos a acompanhar o próximo texto de continuidade. Nele, exploraremos dinâmicas e propostas gestuais, práticas baseadas nos saberes do Taichi, do Qigong e da Meditação, que visam contribuir para uma vivência mais consciente, integrada e saudável dessa força fundamental que é a raiva. Até o próximo texto!
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Atenciosamente,
Luciano Vasconcellos
Esp. Filósofo Clínico,
Prof.Taichi, Qigong e meditação...
Aguardo você ao próximo texto, obrigado pela leitura, compartilhe!
Com ações e entregas de reflexões, saberes e ideias sinceras contribuímos para um mundo melhor ético e mais saudável!
quarta-feira, 2 de julho de 2025
"Humano por mais humanidade" - Uma crítica à projeção de um humano superior
Convém lembrar que adoramos ter alguma justificativa para as questões da vida e para além dela, também queremos ser senhores do bem e do mal a ponto de até inventá-los. E de novo aparece aquele sutiu e eterno conflito das ações e do que se espera da relações entre o indivíduo e a coletividade. Parece que, no para todos (os sensos em comum na coletividade) sempre entra num desarranjo com o para mim (no senso da individualidade). Insatisfeitos, as máximas começam: fulano precisa ter mais atenção, fulano precisa fazer isso ou aquilo, precisa se converter, não está de acordo... Fórmulas de humanização sob projeção do desejo de um humano superior são vomitadas aos quatro cantos, como se isto fosse exclusividade para alguns ditos mais evoluidos, e nesse processo o próprio senso de solidariedade acaba sendo uma manifestação egoística ou com ar de superioridade. Apesar de parecer contraditório é um possível da condição humana. Sim, essa sim, pode ser o centro para uma reflexão em torno de nossas insatisfações e projeções.
Pensar em uma humanidade mais "evoluída" seja entrar num campo contra corrente, onde alguns ideais precisem sofrer algumas inversões.
O todo da vida talvez deva ser mais que entendido, vivido como dádiva e não sob a tutela de dívidas em relação de passado, presente ou futuro.
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Rima furtiva
Há tantas formas no comunicar
Há tantas formas de juntos estar
Há tantas formas de como amar
Quando fisicamente distantes
As vezes vivo o silêncio que toca você
Enquanto fazes o mesmo a mim
Surfamos entre conveniências, limites e ousadias
Jingamos com a vida
Sabemos de regras
Sentimos o que sentimos
Gostamos de viver
Temos asas, casa, pés e gostamos da rua
Temos nosso querer bem
Tranquila vontade de estar,
segura e sabe esperar
Driblamos amarras
Ousamos em poucos estares
Aconchega-se o coração, calma e afeição
Um estar que não carece definição
Entre assuntos ,sonhos, parcerias e distâncias
É peculiar pontuar tal liberdade
Há uma brisa suave dissolvendo amarras
O vínculo é o amor, não os pactos.
Há tantas formas de amar
Nosso encontro é peculiar
E o mundo ainda não está pronto
Para este estilo de furtivos estares
Uma casualidade
Certezas pelo encontro
Desentendida mágica sentida
Pulsada, forte e moderada
A vida balança
Beleza ainda que em gotas de cuidar
Tudo transversaliza
Em rima furtiva
nossos caminhos se cruzam
É sempre bom querer-te bem!
quinta-feira, 27 de julho de 2023
Fluxo ao foco de um instante
Mais um dia de presença amanheceu, os passarinhos cantam...
Tudo parece um convite aos gestos de silêncio.
Entre sentidos seguimos, percebemos, moldamos, despertamos e nos direcionamos.
Muito se pode ou nada fazer.
Talvez, se no despertar da presença dos "instantes", possa escolher, moderar, deixar-se ir e ao fluxo focar, aprender, permancer, criar e enovar.
O caminho flui na multiplicidade enquanto ao tempo, sentidos e identificações cada um localiza-se e segue pontuando a vida..."
(L.V. 270323, @pensarconsiderando)
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Brasil Babel 2018 - a realidade e uma escolha em outro ponto de vista.
Andar para mais que andar
Andar não é só caminhar, andar é iniciativa, é concreção, andar é dar direção, andar é o fazer do agora o 100 por cento de cada passo, andar é o reunir as forças do antes e se lançar ao futuro, um passo de cada vez. Assim, a existência é integral, rima passado, presente e futuro, arte de ser sendo onde participativanente o destino se faz.
Andar é gesto onde a cada passo, o milagre do equilibrio acontece.
Andar é uma espiritualidade silenciosa do corpo em ação, signo do devir. Devir pelo corpo, devir pelos sentidos, é a alma que se expressa estando em direção. É via para as conquistas e satisfação em construção na eminência de cada passo, o melhor modo de ser e estar feliz.
Andar é mais que a meta! A meta é um para onde, uma dualidade entre ser o motivo ou a tênue linha para frustração, afinal deseja-se realização. Andar é sempre uma concreção. Por isso, convém focar no poder do fazer, o agir de agora, fonte mantenedora da alegria do ser sendo.
Siga, aja, vai, anda, viva os 100% (cem por cento) de cada passo. Isto é atitude de bem viver, é estar sóbrio(a) no acontecer, força que funda o futuro a partir do agora enquanto canaliza os impulsos do passado, afinal somos seres estruturantes.
No agora, sóbrio andar é dançar com a vida, é estar em par a tudo que lhe toca. Andar é administrar-se enquanto afeta-se e é afetado. Andar é ação, metáfora para o onde vai e para onde pretende-se chegar, um depois que torne um agora, andar é deslocar o tempo, transmutar para parar um pouco. Andar é lidar com as resultantes e continuar, isto é alegria do ser sendo, é o surfar com o movimento.
Predominantemente, andar é a positividade de multiplas direções, espaço para os sentidos, inclusive o recuar seja para proteger, esperar ou mais como adaptar, depois vem de novo aquele impulso de continuar indo. Andar é movimento. E movimento é um campo de criação, expressão, e composição do viver. É bom que o andar seja compor-se em beleza. Pode-se involuir, permanecer ou evoluir, multiplicidade dos estados de ser.
Siga, mova-se por dentro e por fora, continue expressando em fatos aquilo que ultrapassou a fase potencial. Viva a realização, continue construindo sobre os momentos, ouse plasmar a realidade, ouse conquistar a cada passo, desperter-se, assuma-se, liberdade de ser sendo, harmonize as responsabilidades, autoridades só fazem os sentidos de um mundo melhor.
Andar é uma metáfora do empenho, andar é mais do espera-se dos resultados e projetos, andar é ação, condição do tornar-se em realização, sentido que importa e prova aquilo que se é capaz. Continue andando, conquistando, aprendendo o.progresso de si mesma(o), alma que faz a cada passo. Sinta o despertar sorriso interior a cada momento. Viva viver!
terça-feira, 25 de outubro de 2022
A indução das mentes nos dias atuais, qualquer pode ser uma vítima!
Se permiteres ser uma vítima da astúcia alheia, não percebes que és tua alma que se embreaga de tolice e negação de uma verdadeira liberdade de espírito. Aquele que ousa te manipular no pensar, desrespeita o teu ser te convencendo, disvirtua-te da clarez. Esses algozes, mais que acreditar que sejas um tolo sujeito as manipulações dos seus jogos de sentidos, no ato de tua adesão eles provam seu estado de pessoa ludibriada e possivelmente orguilhosa do de se estar no erro da ilusão.
domingo, 23 de janeiro de 2022
10 mais ricos do mundo dobram suas fortunas em 2021 - tempos de covid
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Por outro poema
A força do poema
Toca a existência
Explícita o limite
Ousa para o alcançe
Cada qual na sua
Em comum o ser
Em mares do agora
Sentidos para o infinito
Incertezas e pretenções
Gaiolas e vôos
Recolhimento e expansão
Tramas da liberdade
Apenas se é
Mente aqui e ali
Desloca-se em sentidos
Enquanto ser movimento
Resposta em poemas
Tantas "Pluri-lógicas"
Poucos se tocam
A vida flui tempo
Palavras jogam
Brincam signos
Coração sente
Espaços preenchem
Dança o eu ser instante
O outro a condição afeto
Da relação à concepção
Geografias do(s) si(s) no mundo
Para onde vais?
Até onde alcança?
Onde está agora?
Em saltos realização!?!?
(L.V. 108, 18/11/21 @pensarconsiderando)
quinta-feira, 2 de julho de 2020
Taijiquan Cadeirante
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Ep.0 - O Pensar considerando - Apresentação
Se preferir escute o podcast aqui:
- Olá, eu sou Luciano Vasconcellos, estudei filosofia e teologia, vivenciei de perto a espiritualidade franciscana entre os frades menores conventuais. Nesse período, tive a alegria de experimentar o espírito do conhecimento como uma dimensão devocional. Tudo se encaixava como uma luva com meus anseios dos tempos de criança e as lembranças de olhar para estrelas... eram tantos pontos de luz..., Com a vida franciscana, veio a oportunidade de ouvir e compartilhar experiências de luzes e sombras de tantas e tantas pessoas. Concretamente, a alma humana ia se apresentando a mim com sua pluralidade de sentidos, cada experiência era um conjunto de relações explicitando dores e alegrias, mundos se descortinando. Os problemas, os estados, as circunstâncias, as mentalidades e as alternativas destas pessoas ou meus se tornavam vias de possibilidades do devir.
- Entre eles, também pude experimentar um peculiar ambiente de debates, foram muitas querelas que desafiaram e amadureceram convicções enquanto afiavam as lâminas do pensamento. Era um ambiente formativo para a vida, que evocava a outras percepções, tudo era estimulante ao desenvolvimento e plasticidades da mente. A singularidade daquele estilo de vida era internamente plural, com pessoas de diversas culturas sob a aspiração poética inerente àquela espiritualidade. Afinal, pude observar, que as querelas sempre fizeram parte da vida franciscana compondo um sentido sustentado por uma base amorosa, onde se crê que tudo é uma oferta da graça. Nesse sentido era presente uma adesão a um tipo de rigor intelectual vivido, em tudo estava escrito os sinais do Divino...
- A Intelectualidade devocional franciscana foi um segundo portal de aprofundamentos em perfeita concomitância com a academia. O diferencial era que na vida conventual, tudo acontecia de modo natural, fazia parte do dia a dia, da cozinha, da mesa do jantar... Graças a velha disputatio, como faziam os mestres medievais do século XIII, as questões de hoje eram enfrentadas com o mesmo espírito. Eu adorava vivenciar as argumentações e ouvir os ensaios que saíam dos corações.
- Havia momentos em que, alguns ânimos se alteravam nos tropeços das paixões, das certezas assumidas sem muitos mais, era a hora de pegar a si mesmo, permitir-se confrontar e, direcionar-se a uma imparcialidade para superar a vaidade da certeza, ou se fechar. Mas aquela circunstâncias, em si faziam com que a porta ficasse aberta, até mesmo para os espíritos dados a teimosia, o quais sofriam pouco ou muito.. Porém dali, inevitavelmente, contemplava -se vestígios de outros horizontes, isso não tinha preço pra quem tinha sede de conhecer. As divergências, ainda que fossem incômodas, aguçavam uma unidade no caminho de um processo de amadurecimento, e volta e meia as questões em aberto eram retomadas. Era um ambiente de um grande exercício do pensar. Divergências, acertos, ponderações eram reais motivações para conhecer mais e mais. Eu via isso com bons olhos, o que trouxe-me libertações. E o mais legal! Entre bate papos e bate papos, havia uma sede de fundamentações que posso afirmar que até mais rigorosos do que a academia, pois os sentidos da vida estavam em jogo. Isto por si só traz uma mensagem ao mundo..
- Sem dúvida, os conteúdos e a vida na academia promovem o desenvolvimento de um pensar amadurecido, mas decididamente, não lhe é uma exclusividade. O cotidiano daquela vida franciscana testemunhava outra realidade, vivia-se na pele o estímulo ao desenvolvimento intelectual e a consciência dos sentidos da vida, não bastava a memorização de conteúdos e bons resultados nas atividades acadêmicas ou uma excelente erudição do legado, era preciso saber articular… Muitos ali aprenderam a pensar sobre o legado e a relação com dados atuais, estávamos mentalmente vivos, extrapolávamos “programações”....
- Esta vivência na prática trouxe-me a compreensão de que o desenvolvimento formativo, a transmissão e a produção do conhecimento, incluindo todos os níveis, não deve ser uma exclusividade da acadêmia, mas, sim, algo que lhe é constitutivo como guarda, proliferação e produção de saberes. A primazia é do pensar presente em cada indivíduo, ele funda e transpassa a academia, como qualquer outro setor da sociedade, a maturidade do pensar não pertence a ela como pode parecer. A formação humana é um processo contínuo intersectando tudo que se concebe e produz, tanto material quanto cultural. O pensar é presente no dia a dia do Homo sapiens sapiens, o Pensar Considerando nasce desta consciência “con-sentida”, e expressa uma experiência pessoal que desejo compartilhar com denominação.
- Olhando ainda mais para trás, tudo começa com as dádivas dos estímulos, primeiro na infância. Os livros da estante de casa, brincaram muito comigo, foram muitos informes das coletâneas como “Tesouro da Juventude”, Barsa e Life, quantas e quantas horas trago na memória, eu e aqueles livros sendo revirados a cada curiosidade, algumas vezes causadas pelas conversas dos adultos, a cada descoberta que eu admirava... Hoje, sem esquecer dos livros, continuo abrindo o Google, basta uma dúvida, e o mundo virtual está aí a nos servir..
- Dando um pulo, na fase adulta, nas experiências da vida vieram o curso de filosofia, o de teologia, e a querida filosofia clínica, que considero uma vanguarda que dirrime preconceitos, vindo adornar a motivação do exercício do livre pensar que denomino como pensar considerando. Pois trata-se de um querer conhecer a partir das relações, um acontecer com ciência e percepção acolhedora dos sentidos, seja dos corpos quanto das almas e seus anseios, para que na finitude humana possa servir-se na mesa dos signos, significados e ressignificados, do permanente ao criativo… Vai por aí! Portanto pensar considerando serve-se da academia, das culturas, do cotidiano, dos acontecimentos, das idéias, dos sentimentos, dos encontros e das interseções. É um modo de articular e transitar entre o que está expresso e a independência de acolher, manter, aprimorar e até superar os sentidos, sob o foco de uma sobriedade entre o que se conserva e o que progride. Entre erros e acertos do caminho que a meta seja sempre por uma ética de um livre pensar sem enclausuramentos de preconceitos, mas acolhedora das diversas modalidades de ser e suas expressões desde que respeitem as outras existências e manifestações como garantia de si e das outras. Nesse sentido, pensar considerando é uma abertura ao cocriativo que não cessa, é um por-se na dimensão de um pensar inclusivo, que distingue mas não exclui… Faz escolhas sem destruir. Em pensar considerando uma identidade só existe por razão da diferença, entendendo a diversidade como a possibilidade do essencial, não acolhê-la é negar o que viabiliza o reconhecimento e a expressão da própria identidade… Algo para reflexão atual, uma vez que o identitarismo excludente, é uma das causas de sofrimentos numa conjuntura coletiva atual... Inconsequentemente, reduzem a realidade e as idéias em suas visões de mundo etnocêntricas, assim desrespeitam a complexidade e conhecimentos que ultrapassam seus muros.
- Pensar Considerando também é um modo de refletir acolhedor das artes, da ciências, das religiões e de tantas, e tantas outras expressões singulares da beleza humana, entre cores, sombras e luzes, dores e alegrias, todas elas estão permeadas de busca e criação de sentidos. A rigor, não é possível, pensar considerando sem apreender os sentidos do que se quer pensar, sem isso não há consideração, não se vê estrelas brilhando, e sem as luzes, nada há do que trevas. Pensar Considerando, é uma atitude ética do pensamento que não se fecha em si mesmo, admite sistemas, mas apenas como fragmentos da totalidade, sempre parcialmente apreendida.
- Convido você a participar desta perspectiva. venha trilhar comigo, acompanhe este podcast, Contribua com seu olhar, e se possível seja um apoiador desta iniciativa. O desejo é multiplicar horizontes para um mundo responsável e acolhedor! Iremos compartilhar e receber! Vem aí uma série de questões, reflexões, leituras, entrevistas, espiritualidade, ciência e arte. E contamos com sua participação.
- Fiquemos mentalmente Vivos!
- Seja muito Bem vindo!
quinta-feira, 14 de maio de 2020
domingo, 11 de agosto de 2019
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
O tempo das Informações Terceirizadas - o raso pensar é real?
autoridades que não se dão conta de seu comando influenciador, um mundo onde os excessos de informações entre "fakes" e "truths" se misturam sobrepondo a um saber evolutivo, e portanto, em contínua construção. Um mundo onde se compra e vende informações via terceirização, onde muitos apenas reproduzem um mesmo, ou seja, alguém pensou primeiro por você, opinou primeiro por nós, e o resultado segue se desdobrando sem uma tomada de consciência, e sem essa ciência não há crítica. Nesse caso, os sentidos e compreensões estarão na maioria das vezes camufladamente predeterminados, não escapando nem os intelectuais, salvo suas especialidades e exceções, afinal a alma humana tem suas imprevisibilidades e que bom! Mas o fenômeno dos consumidores de informação seguem influenciados por ideias que alguém às sintetizou por ele, por mim, por nós. Onde está o filtro?
